Larguei o Cigarro Depois de 18 Anos com Adesivos de Nicotina em Campinas
Meu nome é André Lima, tenho 41 anos, moro em Campinas, São Paulo, e fumei durante 18 anos da minha vida. Hoje estou com 11 meses sem cigarro e posso dizer com toda a sinceridade que os adesivos de nicotina NiQuitin foram a ferramenta que me faltava pra conseguir. Essa é minha história, contada com toda a honestidade, pra que ela possa servir pra alguém.
Comecei a fumar com 23 anos, quando estava terminando a faculdade de Engenharia Mecânica na Unicamp. O stress das provas finais, do TCC, da pressão de entrar logo no mercado de trabalho. Um colega de república me ofereceu um cigarro numa noite de estudo e eu aceitei. O efeito foi imediato: uma sensação de alívio, de relaxamento, que naquele momento parecia exatamente o que eu precisava. Uma semana depois, eu já comprava meu próprio maço.
Formei-me, entrei pra trabalhar numa indústria metalúrgica em Campinas, na região de Barão Geraldo. Engenheiro de produção, lidando com prazos, metas, linhas de montagem, turnos. O ambiente industrial é intenso. E o cigarro foi ficando cada vez mais presente. Nos intervalos, na hora do café, depois do almoço, no fim do expediente. Era o marcador de tempo do meu dia.
Nos últimos anos antes de parar, eu fumava um maço e pouco por dia, entre 22 e 25 cigarros. Fumava Camel azul, que era minha marca fixa. Gastava quase 600 reais por mês só em cigarro. Quando fazia a conta, ficava incomodado, mas a dependência é uma coisa engraçada: você sabe que tá gastando absurdo e continua gastando.
Minha esposa, a Lúcia, fuma também. Ou melhor, fumava. Ela largou quando engravidou do nosso primeiro filho, o Davi, e nunca mais voltou. Isso criou uma dinâmica estranha na nossa casa. Ela que tinha sido minha parceira de cigarro virou minha cobradora. “André, você não vai parar?” “André, o Davi tá crescendo no meio de fumaça.” “André, eu consegui, por que você não consegue?”
Eu ficava na defensiva. Dizia que cada um tem seu tempo, que não era tão simples assim, que ela tinha tido a motivação da gravidez e eu não tinha o mesmo incentivo. A verdade é que eu tinha medo de falhar. Medo de tentar e não conseguir, porque aí ficaria provado que eu era fraco.
Tentei parar uma vez, há quatro anos, usando só força de vontade. Durei 12 dias. Foram 12 dias de irritabilidade extrema, insônia, dor de cabeça, dificuldade de concentração no trabalho. No 13.o dia, tive uma reunião tensa com a diretoria da fábrica, saí de lá tremendo, e comprei um maço na padaria da esquina. Fumei três cigarros seguidos no estacionamento. A sensação de derrota foi esmagadora.
O ponto de virada veio de uma maneira que eu não esperava. Meu filho Davi, que agora tem sete anos, veio da escola um dia com um desenho. Era um desenho de família: ele, a mãe, o irmão mais novo, o Pedro, e eu. Todos estavam coloridos com cores vivas, menos eu. Eu estava cinza. E tinha uma nuvem escura em volta da minha cabeça. A professora tinha pedido pra desenharem a família e ele me desenhou cinza.
Quando perguntei por que eu estava cinza, ele disse: “Porque o pai sempre tá com fumaça.” Naquela noite, depois que as crianças dormiram, eu chorei no banheiro. Meu filho de sete anos me via cinza. Eu era o pai cinza.
Na semana seguinte, marquei consulta na Unicamp, no ambulatório de cessação tabágica do Hospital de Clínicas. Fui atendido pela Dra. Patrícia Mendes, uma pneumologista que me tratou com uma seriedade e um respeito que me fizeram sentir que aquilo era possível.
Ela fez o teste de Fagerström, avaliou meu grau de dependência como alto, e conversou comigo sobre as opções. Como minha tentativa anterior no frio total tinha sido traumática, ela sugeriu os adesivos de nicotina NiQuitin como estratégia principal, complementados com técnicas comportamentais.
O plano era o seguinte: começar com adesivos de 21 mg durante seis semanas, passar pra 14 mg por mais quatro semanas, e finalizar com 7 mg por duas semanas. Doze semanas no total. A Dra. Patrícia explicou que os adesivos liberam nicotina de forma constante pela pele, mantendo um nível estável no sangue e reduzindo a abstinência física. A parte psicológica, os gatilhos, os hábitos, precisaria ser trabalhada com mudanças de comportamento.
Ela me deu uma lista de estratégias que eu segui à risca. Primeira: mudar a rotina matinal. Em vez de tomar café e fumar na cozinha, eu passaria a tomar café caminhando até a padaria, comprando o pão e voltando. Segunda: nos intervalos do trabalho, em vez de ir pro fumódromo, ir caminhar cinco minutos pelo estacionamento. Terceira: depois do jantar, em vez de fumar na varanda, sair pra dar uma volta no quarteirão com a Lúcia e os meninos.
Marquei a data de parar: uma segunda-feira. Na noite anterior, um domingo, fumei meu último cigarro no quintal de casa, depois de um churrasco de família. Joguei o maço fora, lavei as mãos, escovei os dentes e colei o primeiro adesivo NiQuitin de 21 mg no braço esquerdo.
Acordei na segunda-feira com uma sensação estranha: a vontade de fumar estava lá, mas abafada. O adesivo estava fazendo seu trabalho, fornecendo nicotina suficiente pro meu corpo não entrar em pânico. A primeira hora sem cigarro passou. A segunda também. No trabalho, fui pro estacionamento no intervalo em vez do fumódromo. Caminhei entre os carros, respirei fundo e voltei.
O primeiro dia inteiro sem cigarro. Fazia 18 anos que eu não passava um dia inteiro sem fumar. Quando cheguei em casa à noite e contei pra Lúcia, ela me abraçou e disse: “Eu sabia que você conseguia.” Aquele abraço valeu mais que qualquer cigarro.
A primeira semana foi a mais difícil, mas suportável. A vontade vinha em ondas. De repente, do nada, uma vontade forte que durava uns cinco minutos e depois passava. A Dra. Patrícia tinha me avisado sobre isso: “As ondas vêm, mas elas sempre passam. Você só precisa aguentar a onda.” Eu repeti isso pra mim mesmo dezenas de vezes.
No trabalho, o Rogério, meu colega de setor que fuma, me zoou nos primeiros dias. “Tá usando adesivo? Isso não funciona, cara.” Ignorei. Na segunda semana, ele parou de zoar. Na terceira, veio me perguntar se os adesivos eram caros. Não sei se ele chegou a tentar, mas o fato de ter perguntado já me disse alguma coisa.
Uma coisa que me surpreendeu foi a coceira no local do adesivo. Nada grave, mas incomodava. A Dra. Patrícia me orientou a alternar o local: um dia no braço esquerdo, outro no direito, depois na coxa, no peito. Mudar de posição a cada dia evitava que a pele ficasse muito irritada. Seguindo essa rotação, o problema foi mínimo.
A passagem do adesivo de 21 mg pro de 14 mg, na sétima semana, me preocupava. Achava que ia sentir mais vontade. E senti, um pouco. Nos primeiros dois ou três dias com a dose menor, a vontade ficou um pouquinho mais presente. Mas nada comparável ao frio total. Era como baixar o volume de uma música: ela ainda toca, mas não incomoda. E em poucos dias, meu corpo se adaptou.
Do 14 mg pro 7 mg foi mais tranquilo ainda. E quando tirei o último adesivo, na décima segunda semana, eu já estava tão acostumado a não fumar que o adesivo parecia quase desnecessário. Tirei e segui em frente.
A mudança mais impactante pra mim foi recuperar meu fôlego. Eu jogava futebol com os amigos todo sábado de manhã, na quadra society perto de casa. Nos últimos anos, eu mal aguentava o primeiro tempo. Ficava ofegante, com dor no peito, parando cada cinco minutos. Era o pior da turma, e olha que tem gente mais velha que eu ali. Com três meses sem fumar, já aguentava o jogo todo. Com seis meses, estava correndo mais que muito moleque de 25 anos.
O Davi fez outro desenho da família uns quatro meses depois que eu parei. Dessa vez, eu estava colorido. Azul e verde, as cores dele preferidas. Sem nuvem de fumaça. Emoldurei aquele desenho e coloquei na parede do meu escritório na fábrica. Todo dia eu olho pra ele e lembro por que parei.
Financeiramente, a diferença é gritante. Quase 600 reais por mês que eu torraria em cigarro agora ficam no bolso. Em 11 meses, são mais de 6 mil reais. Com esse dinheiro, levei a família inteira pra Aparecida do Norte, fizemos um final de semana em Campos do Jordão, e comprei a bicicleta que o Davi tanto queria.
Minha relação com a Lúcia também melhorou. Ela não precisa mais reclamar, não existe mais aquela tensão silenciosa entre a gente por causa do cigarro. A gente voltou a fazer coisas juntos que o cigarro atrapalhava. Caminhadas no Parque Taquaral, piqueniques no Bosque dos Jequitibás, trilhas no final de semana. Coisas simples que antes eu evitava porque não tinha fôlego.
Pra quem tá pensando em usar adesivos de nicotina, meu conselho é: siga o plano. Não tente pular etapas, não tente tirar o adesivo antes da hora. A redução gradual é o que faz o método funcionar. E combine com mudanças de hábito. O adesivo cuida do corpo, mas você precisa cuidar da cabeça. Mude sua rotina, evite os gatilhos nos primeiros dias, encontre substitutos pro ritual do cigarro.
E procure ajuda profissional. A Dra. Patrícia foi fundamental no meu processo. Ter alguém que entende, que não julga, que monitora seu progresso e ajusta o tratamento quando precisa, faz toda a diferença.
Sou André Lima, engenheiro mecânico, 41 anos, de Campinas. Pai do Davi e do Pedro. Marido da Lúcia. E agora, finalmente, um pai colorido.